Principais indicadores das ações da Texas Instruments
- Preço atual: US$ 322,86
- Preço-alvo (médio): ~US$ 510
- Preço-alvo do mercado: ~US$ 294
- Retorno total potencial: ~58%
- Tasa de retornointerna (IRR) anualizada: ~11%/ano
- Reação aos resultados: 19,43% (22 de abril de 2026)
- Queda máxima: 30,70% (20 de novembro de 2025)
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O que aconteceu?
Texas Instruments (TXN) não é mais aquela ação chata do setor de chips, e o mercado parou de tratá-la como tal. As ações fecharam a US$ 322,86 em 18 de junho de 2026, com alta de 6,95% no dia. A ação já subiu cerca de 80% em 2026, uma trajetória notável para uma empresa que passou a maior parte de 2025 em queda, enquanto a Nvidia e a AMD dominavam as manchetes sobre IA.
O gatilho foi uma recomendação de Wall Street. Em 15 de junho, o analista do Citi, Christopher Danely, elevou seu preço-alvo de US$ 280 para US$ 345 e reiterou a TXN como uma das principais escolhas no setor de semicondutores, citando os recentes aumentos nos preços dos produtos e a expansão da participação da TI no mercado de energia para data centers. O mercado aceitou a tese, e com folga.
Eis o dilema. Após uma alta de 80%, a TXN é negociada acima do preço-alvo médio de Wall Street, que gira em torno de US$ 294. Os mesmos analistas que comemoram a recuperação estão, em média, projetando um preço abaixo do nível em que a ação já se encontra. A questão não é se a Texas Instruments é um bom negócio. É claramente. A questão é se os compradores estão pagando por uma recuperação que já ocorreu.
Em que o Citi está realmente apostando
A previsão do Citi se baseia em uma ideia: que a energia dos data centers se torne um verdadeiro motor de crescimento para a TI, e não um erro de arredondamento. Os dados comprovam a urgência. A receita dos data centers cresceu cerca de 90% em relação ao mesmo período do ano anterior no primeiro trimestre e atingiu 12% do total, ante 9% em 2025.
A Texas Instruments fabrica os componentes analógicos e embarcados pouco glamorosos (os chips de potência, cadeia de sinal e sensores) que se encontram aos milhares dentro de cada rack de servidor de IA. O CEO Haviv Ilan avaliou o potencial desse mercado na Conferência de Decisões Estratégicas da Bernstein, em 28 de maio. Ele estimou o mercado potencial da TI para data centers em cerca de US$ 7,5 bilhões no ano passado, com a TI captando cerca de US$ 1,5 bilhão, ou uma participação de 20%.
“Estimo que o TAM tenha um crescimento de cerca de 65%”, disse Ilan. “Até agora, no primeiro trimestre, crescemos 90% em relação ao mesmo período do ano anterior.” Essa diferença entre o crescimento do mercado e o crescimento da TI é o ganho de participação pelo qual o Citi está pagando, e Ilan estimou a oportunidade de conteúdo “na casa das dezenas de milhares de dólares por rack”.

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A recuperação é real, mas o preço já reflete isso
Se deixarmos de lado a narrativa da IA, resta uma verdadeira virada cíclica. O setor industrial, historicamente o maior mercado final da TI, caiu quase 50% em relação ao seu pico durante a recessão. No primeiro trimestre, cresceu cerca de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas ainda se encontra aproximadamente 15% abaixo daquele pico anterior.
Esse detalhe é o melhor argumento dos otimistas de que a recuperação ainda tem espaço para avançar. Ilan foi franco: “Acho que ainda estamos no início da fase de recuperação — espero que seja isso. E, normalmente, nessa fase inicial, os clientes não estão aumentando seus estoques.” Não se trata de uma falsa recuperação de estoques.
Os resultados financeiros confirmaram isso. A receita do primeiro trimestre cresceu cerca de 19%, para US$ 4,83 bilhões — o ritmo mais rápido desde o superciclo da pandemia —, com lucro por ação ajustado de US$ 1,71. As ações reagiram com um salto de 19,43% em um único dia, em 22 de abril de 2026.
Então, por que a cautela? A avaliação agora depende de que a recuperação seja duradoura, e não apenas real. A TXN é negociada a um EV/EBITDA NTM de 26,15x e a um P/E NTM de 39,12x. Para uma empresa cuja taxa composta de crescimento anual (CAGR) da receita em 10 anos é de apenas 3,1%, esse é um múltiplo elevado.
A comparação com o setor torna isso ainda mais evidente. O P/E futuro de 39,12x da TXN fica bem acima do da Broadcom, com 26,13x, da Qualcomm, com 23,14x, e da Taiwan Semiconductor, com 22,92x. Esse prêmio só se justifica se a inflexão no fluxo de caixa livre da TI ocorrer conforme previsto.
Há também uma mudança na liderança a ser acompanhada. Em 2 de junho, a TI nomeou Julie Knecht como sua próxima diretora financeira, com vigência a partir de 1º de agosto de 2026, sucedendo Rafael Lizardi, que se aposenta após 25 anos. A TI afirmou que a mudança não está relacionada aos resultados financeiros e que Knecht é uma promoção interna, portanto, espera-se continuidade na alocação de capital.

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Análise Avançada do Modelo TIKR
- Preço atual: US$ 322,86
- Preço-alvo (médio): ~US$ 510
- Retorno total potencial: ~58%
- TIR anualizada: ~11%/ano

Esse preço-alvo médio está acima do preço atual, mesmo após a alta de 80%, portanto, o modelo ainda vê valor caso os fundamentos se confirmem.
Dois fatores impulsionadores da receita sustentam essa perspectiva. O primeiro é a expansão do setor de data centers, onde a TI cresceu 90% em relação ao ano anterior, contra um mercado que cresceu cerca de 65%. O segundo é a recuperação do setor industrial, que ainda está 15% abaixo de seu pico anterior. O crescimento da receita nos modelos de cenário moderado é de cerca de 10% ao ano.
O fator que impulsiona a margem é a internalização: à medida que a TI transfere a produção para sua fábrica em Lehi e amplia a capacidade em Sherman, o cenário intermediário aponta para uma margem de lucro líquido próxima a 37%. O principal risco é a depreciação, um aumento de aproximadamente US$ 350 milhões em 2026 que pressionará as margens caso a receita fique aquém das expectativas.
O lado positivo: ganhos de participação no mercado de data centers e uma recuperação industrial completa impulsionam os resultados em direção ao cenário mais otimista do modelo. O lado negativo: a recuperação industrial estagna, o acordo com a Silicon Labs enfrenta atrasos regulatórios na China e o múltiplo se comprime em direção ao cenário mais pessimista.
Conclusão
O próximo teste real serão os resultados do segundo trimestre, em 22 de julho de 2026, e o número que mais importa é o crescimento no segmento de data centers. A TI registrou um crescimento de 90% ano a ano nesse segmento no último trimestre, contra uma expansão do mercado em torno de 65%. Qualquer resultado próximo ou acima desse ritmo confirma a tese de ganho de participação de mercado pela qual o Citi está pagando US$ 345. Uma desaceleração em direção à taxa do mercado seria o primeiro sinal de fragilidade.
Acompanhe os comentários do setor com a mesma atenção. A administração classificou a recuperação como estando em estágio inicial e ainda 15% abaixo do pico; portanto, um segundo trimestre consecutivo de crescimento sequencial generalizado transformaria uma perspectiva promissora em uma realidade confirmada. Qualquer resultado mais fraco, após uma alta de 80% e um múltiplo que já precifica a sustentabilidade, e a ação terá espaço para recuar em direção à meta média do mercado. A tese será confirmada ou refutada no final de julho.
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