Principais indicadores das ações da Starbucks
- Preço atual: US$ 104,60
- Preço-alvo (médio): ~US$ 137
- Preço-alvo do mercado: ~US$ 106
- Retorno total potencial: ~31% (ao longo de aproximadamente 4 anos)
- Taxa Interna de Retorno (TIR) anualizada: ~6%/ano
- Reação aos resultados: +8,45% (28 de abril de 2026)
- Queda máxima (1 ano): 19,06% (10 de outubro de 2025)
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O que aconteceu?
Starbucks Corporation (SBUX) passou o último ano convencendo os investidores de que sua recuperação é real. Agora, quer que eles acreditem em algo ainda maior: que a maior rede de cafeterias do mundo, com mais de 41.000 lojas, ainda é uma empresa em crescimento. Isso é mais difícil de convencer. As ações são negociadas perto de US$ 105, tendo se recuperado de uma baixa registrada em outubro, mas ainda assim permanecem abaixo do nível em que eram negociadas em 2019. Os otimistas veem uma marca finalmente voltando a ter desempenho positivo, com um potencial de crescimento que, segundo a administração, poderia adicionar 10.000 lojas nos EUA e dobrar a base internacional. Os pessimistas veem uma rede de varejo madura, com valor de mercado de quase 80 vezes o lucro, enfrentando sindicatos e margens reduzidas. A questão que o mercado ainda não consegue responder é se a próxima etapa de crescimento será uma expansão real ou uma narrativa associada a uma recuperação que já está precificada.
Essa tensão ganhou destaque em 9 de junho, quando o CEO Brian Niccol participou da Evercore Consumer and Retail Conference e apresentou um plano de crescimento de unidades mais agressivo do que qualquer coisa vista nas recentes mensagens da campanha “Back to Starbucks”. O número principal: a Starbucks acredita que pode abrir 10.000 lojas somente nos Estados Unidos, além de uma base global que, segundo a empresa, pode dobrar no exterior.
A história de crescimento que a administração está realmente contando
A parte da recuperação já não está mais em discussão. No segundo trimestre do ano fiscal de 2026, divulgado em 28 de abril, as vendas comparáveis globais cresceram cerca de 6%, as vendas comparáveis na América do Norte aceleraram para cerca de 7% e o lucro por ação subiu para US$ 0,50 — o primeiro trimestre de crescimento simultâneo da receita e do lucro em mais de dois anos. As ações subiram 8,45% naquele dia. O crescimento do volume de transações, e não os aumentos de preços, impulsionou a maior parte do ganho, o que representa o tipo de crescimento mais sólido e duradouro.
O que Niccol acrescentou na Evercore foi um panorama de para onde o crescimento seguirá a partir de agora. Ele destacou que a rede de lojas nos EUA está concentrada nas costas e se torna mais esparsa no centro do país. “Nossa penetração é realmente insuficiente no centro do país”, disse ele, citando Nashville como exemplo de um mercado onde a empresa quase não possui lojas próprias, embora haja espaço para uma dúzia ou mais. Some-se a essa área de penetração insuficiente a abertura de novas lojas de formato menor, e os números ficam expressivos. “É assim que se chega a 10.000 lojas adicionais nos EUA”, disse Niccol aos investidores. Ele acrescentou que as cerca de 22.000 lojas fora dos EUA poderiam dobrar com o tempo, sendo que só a parceria com a China tem como meta passar de 8.000 para 20.000 lojas.
A segunda alavanca de crescimento é o horário do dia, não a geografia. Cerca de metade dos negócios da Starbucks ocorre antes das 10h, e cerca de 65% antes do meio-dia. A tarde é, em grande parte, inexplorada. Niccol definiu a meta de forma clara: “Adoraria que o pico da tarde fosse tão forte quanto o da manhã.” Chegar lá depende de duas medidas que, segundo a administração, ainda estão em andamento. A cadeia de suprimentos precisa de entregas diárias e reabastecimento em menos de 24 horas em todas as lojas — um aumento em relação aos cerca de 60% das lojas atualmente —, para que alimentos e bebidas permaneçam em estoque. E as próprias lojas precisam das reformas de “revitalização” que reintroduzam assentos e transformem a cafeteria em um lugar onde as pessoas queiram ficar. Niccol disse que essas reformas estão custando US$ 150.000 ou menos por loja e já estão gerando um aumento nas transações, um retorno muito melhor do que o programa de reforma antigo e mais caro.

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Por que o mercado ainda não está valorizando isso
Aqui está a discrepância. A trajetória de crescimento é ambiciosa, mas o preço das ações reflete como se a recuperação fosse a única história. A Starbucks é negociada com um índice preço/lucro ( P/E ) para os próximos doze meses ( NTM ) de cerca de 39x e um P/E acumulado próximo a 80x; ambos elevados porque os lucros ainda estão deprimidos devido ao ciclo de investimento em mão de obra. Isso faz com que as ações pareçam caras com base nos números atuais e baratas apenas se você acreditar nas perspectivas futuras. O mercado está se precavendo. A meta média dos analistas está em torno de US$ 106, pouco acima do preço atual, com a meta mais alta em US$ 137 e a mais baixa em US$ 81. Entre os analistas acompanhados pela TIKR, a distribuição é de 12 recomendações de compra, 5 de desempenho superior, 16 de manutenção, 2 de desempenho inferior e 2 de venda. Trata-se de um consenso à espera de comprovação, não de uma corrida atrás de uma narrativa.
O argumento pessimista não se resume apenas à avaliação. As margens brutas caíram para cerca de 20% no segundo trimestre, ante cerca de 23% no mesmo período do ano anterior, pressionadas pelos custos dos produtos e pela inflação relacionada às tarifas. A margem operacional na América do Norte permanece em cerca de metade do nível anterior ao investimento. E a relação trabalhista é abertamente hostil: em 18 de junho, a Starbucks entrou com uma ação federal de marca registrada contra o Starbucks Workers United em Iowa, acusando o sindicato de diluir seu logotipo da sereia. A ação, que responde a uma movida pelo sindicato em abril, sinaliza que as negociações contratuais paralisadas e o risco de novas greves não estão indo embora. Para uma empresa cuja tese de negócio se baseia inteiramente na execução consistente nas lojas, a agitação trabalhista contínua é uma ameaça direta à recuperação das vendas comparáveis.
Em comparação com os concorrentes, o prêmio é real, mas não indefensável. A Starbucks é negociada a um EV/EBITDA NTM de cerca de 24x, bem acima da Yum! Brands, em cerca de 17x, da Chipotle, em cerca de 20x, e da Restaurant Brands, em cerca de 13x, embora abaixo da Dutch Bros, empresa de alto crescimento, em cerca de 28x. A questão é se uma rede madura de 41.000 lojas merece um múltiplo mais próximo das empresas em rápido crescimento do que das franqueadoras já estabelecidas. A resposta depende inteiramente de se o cenário de crescimento por unidade e do horário da tarde, descrito por Niccol, realmente se concretizar. Se isso acontecer, o múltiplo se justifica. Se o crescimento permanecer na casa dos dígitos únicos médios, não se justifica.

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Análise avançada do modelo TIKR
- Preço atual: US$ 104,60
- Preço-alvo (médio): ~US$ 137
- Retorno total potencial: ~31%
- TIR anualizada: ~6%/ano

Os dois fatores que impulsionam a receita são o crescimento do número de lojas e o horário da tarde: novas lojas nos EUA com formato menor, somadas à expansão internacional, garantem o volume, enquanto um segundo pico diário de vendas, baseado em bebidas refrescantes e alimentos, eleva a receita por loja. O modelo utiliza um crescimento da receita de cerca de 5% (CAGR) no cenário intermediário. O fator determinante da margem é a alavancagem operacional, à medida que o investimento em mão de obra do Green Apron Service se anualiza no quarto trimestre do ano fiscal de 2026 e o programa de redução de custos de US$ 2 bilhões produz efeitos, elevando a margem de lucro líquido para cerca de 10%. O principal risco é que a recuperação da margem estagne caso conflitos trabalhistas atrapalhem a execução ou se os custos dos insumos permaneçam elevados.
O lado positivo: se o horário da tarde e a expansão das lojas gerarem resultados positivos enquanto as margens se normalizam, o cenário otimista aponta para cerca de US$ 205, um retorno bem acima do cenário moderado.
O cenário pessimista: se o crescimento permanecer na casa dos dígitos únicos médios e o múltiplo se comprimir, o cenário pessimista fica próximo a US$ 140 no preço, mas com apenas cerca de 4% anualizados.
Conclusão
A recuperação está comprovada. A trajetória de crescimento, ainda não. O único número que confirmará ou invalidará a próxima fase é o crescimento das transações na América do Norte no relatório do terceiro trimestre fiscal, previsto para o final de julho de 2026. Dois trimestres consecutivos com crescimento de transações acima de 4% — o que a empresa registrou no segundo trimestre — sinalizariam que a recuperação é duradoura o suficiente para sustentar a expansão prometida por Niccol. Qualquer coisa que volte a ficar estagnada indicaria aos investidores que a narrativa sobre o horário da tarde e as 10.000 lojas está se antecipando aos resultados reais do negócio. Fique de olho nas transações, não na comparação de vendas. É aí que se decidirá a próxima etapa dessa ação.
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