A Credo acaba de vincular a remuneração de seu CEO a uma meta de receita de US$ 2,5 bilhões. Veja qual pode ser a trajetória das ações

Wiltone Asuncion9 minutos de leitura
Avaliado por: David Hanson
Última atualização Jul 1, 2026

Principais dados da ação da Credo

  • Preço atual: US$ 271,95
  • Preço-alvo (médio): ~US$ 720
  • Preço-alvo do mercado: ~US$ 270
  • Retorno total potencial: ~165%
  • Retorno anualizado: ~22%/ano
  • Reação aos resultados: +1,28% (1º de junho de 2026)

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O que aconteceu?

Credo Technology Group (CRDO) fechou a US$ 271,95 em 30 de junho, com alta de 10,69% em um único pregão. O movimento deu continuidade a um mês de junho forte, período em que a ação atraiu uma onda de otimismo no mercado, incluindo o aumento do preço-alvo pelo BofA para cerca de US$ 340 e pelo Stifel para cerca de US$ 350. A ação está agora próxima de níveis recordes, com alta de cerca de 85% desde o final de fevereiro, embora ainda esteja abaixo de sua máxima intradiária de 52 semanas, de US$ 308,67.

A alta não é o fato mais revelador que a Credo realizou neste mês. Em 1º de junho, no mesmo dia em que divulgou seus resultados financeiros, o conselho concedeu ao CEO Bill Brennan um prêmio em ações que só será pago se a empresa praticamente dobrar de tamanho. Os otimistas interpretam isso como convicção. Os pessimistas interpretam como uma forma do conselho vincular as recompensas a uma avaliação que já pressupõe anos de crescimento impecável. A questão que o mercado ainda não consegue responder é se a primeira meta incorporada a essa remuneração é uma meta ambiciosa ou um cronograma. A resposta determinará se a faixa de US$ 200 é um teto ou um degrau.

Um pacote de remuneração que só funciona se a receita dobrar

Juntamente com os resultados financeiros, a Credo divulgou uma concessão única de ações a Brennan de até 1.437.000 ações ordinárias, estruturada como PSUs (unidades de ações restritas baseadas em desempenho, que só são convertidas em ações se metas pré-estabelecidas forem atingidas). A concessão é 100% baseada no desempenho. Ela se divide em seis parcelas iguais de 239.500 ações e se estende até 30 de junho de 2031, conforme o documento 8-K apresentado pela empresa.

Os desafios são o ponto principal. As parcelas são desbloqueadas em função de metas de receita que variam de US$ 2,5 bilhões a US$ 7,5 bilhões, combinadas com metas de preço das ações que vão de US$ 244,70 a US$ 489,40. A primeira parcela exige US$ 2,5 bilhões em receita e um preço por ação de US$ 244,70. A Credo acaba de divulgar cerca de US$ 1,34 bilhão para o ano fiscal de 2026; portanto, só a primeira parcela exige que o CEO quase duplique o faturamento da empresa. A parcela máxima exige mais de cinco vezes a receita atual.

Vale a pena ler essa estrutura com atenção. O obstáculo mais baixo está exatamente onde o consenso já espera que a empresa esteja dentro de um ano, portanto, o conselho não está buscando uma meta irrealista na primeira parcela. O obstáculo de preço de US$ 244,70 já foi superado, com a ação cotada a US$ 271,95. O lado da receita ainda não foi alcançado, e é aí que reside o debate.

Receita da Credo (TIKR)

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Por que a administração acredita que pode chegar lá

A meta de receita de US$ 2,5 bilhões não surgiu do nada. O consenso já prevê que a Credo a ultrapasse. Dados da TIKR mostram que os analistas esperam uma receita no ano fiscal de 2027 de cerca de US$ 2,45 bilhões, um aumento de aproximadamente 84% em relação ao ano anterior, o que coloca a empresa às portas da primeira faixa dentro de um ano. As próprias projeções da administração apontam na mesma direção, prevendo um crescimento de receita superior a 80% no ano fiscal de 2027, com o primeiro trimestre fiscal projetado entre US$ 465 milhões e US$ 475 milhões.

O motor por trás desse número tem duas partes. A primeira são os cabos elétricos ativos (AECs), cabos curtos de cobre com processadores de sinal integrados que conectam GPUs a switches dentro de racks de IA. Na Conferência Global de Tecnologia 2026 do Bank of America, realizada em 4 de junho, perguntaram a Brennan quando a demanda por AECs atingiria seu pico. Sua resposta foi direta: “Não vejo esse pico.” Ele definiu a confiabilidade como a “estrela-guia” da empresa, descrevendo os AECs como “1.000 vezes mais confiáveis do que os componentes ópticos baseados em laser” para as conexões sem redundância entre as GPUs e o primeiro switch, onde uma única falha pode paralisar um cluster inteiro. Esse argumento de confiabilidade é o motivo pelo qual os AECs continuam conquistando espaço, mesmo com a indústria adotando sistemas ópticos.

A segunda parte é a óptica, e essa é a que cresce mais rapidamente. Brennan disse que três linhas ópticas, DSPs ópticos, chips de fotônica de silício e a ZeroFlap Optics ultrapassarão, cada uma, US$ 100 milhões e, juntas, ultrapassarão US$ 600 milhões no ano fiscal de 2027. A Credo concluiu, em 28 de maio, a aquisição da DustPhotonics por cerca de US$ 750 milhões, trazendo a fotônica de silício (chips que transmitem dados por meio da luz) para dentro da empresa. O diretor financeiro Dan Fleming destacou a estrutura do modelo na mesma conferência, projetando que as despesas operacionais cresçam cerca de 50%, enquanto a receita cresça mais de 80%, pois “há uma alavancagem contínua no modelo”. É o fato de a receita superar os custos que transforma uma meta de US$ 2,5 bilhões em lucro, e não apenas a escala.

A avaliação que está gerando polêmica

Os resultados da Credo não são o ponto de discussão. A receita do ano fiscal de 2026 triplicou para cerca de US$ 1,34 bilhão, o lucro líquido não GAAP aumentou mais de cinco vezes, para cerca de US$ 662 milhões, e a empresa apresenta um balanço patrimonial com saldo de caixa líquido. O debate é sobre o preço. A Credo é negociada a um EV/EBITDA NTM (próximos doze meses) de cerca de 38x e a cerca de 20x a receita futura.

Em comparação com os concorrentes, isso representa um claro prêmio em um indicador e um aumento modesto em outro. A média do grupo de concorrentes do setor de semicondutores situa-se perto de 35x do EV/EBITDA projetado, de modo que os cerca de 38x da Credo estão apenas ligeiramente acima do grupo. Mas a Marvell, sua rival mais próxima no setor de conectividade, é negociada perto de 52x nesse mesmo indicador, enquanto a NVIDIA fica em torno de 16x. Em relação à receita futura, os cerca de 20x da Credo superam amplamente a média do grupo, que está em torno de 12x. O prêmio é real, e a justificativa repousa quase inteiramente no crescimento. A CAGR (taxa de crescimento anual composta) da receita da Credo para os próximos dois anos, de cerca de 65%, é mais rápida do que a de qualquer empresa de grande capitalização do grupo. Uma empresa que cresce tão rapidamente e mantém margens brutas de 68% merece um múltiplo mais alto do que uma empresa que cresce de forma mais gradual.

O risco está no outro lado dessa mesma moeda. Um múltiplo baseado em crescimento extraordinário penaliza qualquer deslize em direção a um desempenho meramente sólido. A expansão da produção está prevista para o segundo semestre do ano fiscal de 2027, o que significa que parte da história ainda é uma promessa. A oferta é o outro ponto de pressão. Brennan alertou para uma iminente escassez na capacidade de 3 nanômetros para a geração de 200 gigabits por pista, uma restrição em todo o setor que poderia limitar a rapidez com que a Credo transforma a demanda em produtos entregues. Uma ação próxima de níveis recordes, acima de sua meta média do mercado, tem pouca margem de manobra caso a aceleração ou a oferta apresentem um deslize em um trimestre.

EV/EBITDA da Credo para o próximo trimestre (TIKR)

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Análise avançada do modelo TIKR

  • Preço atual: US$ 271,95
  • Preço-alvo (médio): ~US$ 720
  • Retorno total potencial: ~165%
  • Retorno anualizado: ~22%/ano
Modelo Avançado de Avaliação da Credo (TIKR)

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Com base no cenário intermediário, o modelo da TIKR aponta para um preço-alvo de cerca de US$ 720, um retorno total potencial de cerca de 165% e um retorno anualizado de cerca de 22% ao ano ao longo dos próximos cinco anos, aproximadamente. O cenário moderado é a âncora mais confiável aqui, pois se baseia em dados consensuais, em vez da trajetória mais otimista, e ainda assim garante um retorno sólido.

Dois fatores impulsionadores de receita sustentam o modelo. O primeiro é o segmento de AEC, em expansão à medida que operadoras de neocloud se juntam aos hyperscalers na adoção de links de cobre de alta confiabilidade. O segundo é o portfólio óptico, com as linhas DSP, fotônica de silício e ZeroFlap projetadas para ultrapassar US$ 600 milhões no ano fiscal de 2027. O fator determinante para as margens é a alavancagem operacional: a receita cresce mais rapidamente do que o aumento de cerca de 50% nas despesas operacionais previsto pela administração, levando as margens líquidas para a faixa alta dos 40%. O principal risco é a compressão do múltiplo: com a receita futura em torno de 20x, qualquer desaceleração na expansão do segmento óptico poderia afetar as ações mais fortemente do que uma simples queda nos lucros sugeriria. O lado positivo é uma expansão do segmento óptico sem contratempos, que confirme a previsão de mais de US$ 600 milhões e coloque em vista os cenários mais otimistas do modelo. O lado negativo é uma expansão que se estenda até o final do ano fiscal de 2027, comprimindo o múltiplo, enquanto um preço próximo ao recorde oferece pouca margem de segurança.

Conclusão

O novo pacote de remuneração quantificou como a administração avalia seu próprio horizonte de crescimento: US$ 2,5 bilhões em receita é a primeira meta que importa. O próximo marco é o relatório do primeiro trimestre fiscal de 2027 da Credo, previsto para 2 de setembro de 2026, com receita estimada entre US$ 465 milhões e US$ 475 milhões. Um resultado positivo seria uma receita acima de US$ 475 milhões, margens brutas mantidas na faixa alta dos 60% e a administração apresentando números concretos iniciais em relação à meta otimista de US$ 600 milhões. O cenário negativo seria uma revisão para baixo da previsão de receita, uma queda da margem para a faixa média dos 60% ou comentários que, discretamente, adiem a aceleração do crescimento para mais adiante no ano. A primeira parcela de pagamento exige US$ 2,5 bilhões em receita. Setembro indicará se a Credo está caminhando para essa meta dentro do prazo ou se o conselho estabeleceu uma meta que a empresa levará mais tempo para atingir.

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