As ações da AT&T caíram 5% nesta semana, com a Starlink ganhando força. Veja qual pode ser a trajetória das ações em 2026

Wiltone Asuncion8 minutos de leitura
Avaliado por: David Hanson
Última atualização Jul 1, 2026

Principais dados sobre as ações da AT&T

  • Preço atual: US$ 20,70
  • Preço-alvo (médio): ~US$ 36
  • Preço-alvo do mercado: ~US$ 30
  • Retorno total potencial: ~74%
  • Taxa interna de retorno (TIR) anualizada: ~13%/ano
  • Reação aos resultados: +2,42% (22 de abril de 2026)
  • Queda máxima: 30,11% (30 de junho de 2026)

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O que aconteceu?

AT&T (T) fechou a US$ 20,70 em 30 de junho, com queda de 5,13% em um único pregão e sendo negociada perto da mínima das últimas 52 semanas. Para uma ação que os investidores em renda fixa tratam como substituto de títulos, essa é uma oscilação violenta em um único dia. As vendas não se devem a um trimestre ruim. Trata-se de uma questão que o mercado, de repente, não consegue responder: qual é o valor da trajetória de crescimento da AT&T se uma empresa de foguetes começar a vender planos de telefonia?

Essa é a tensão que está dividindo a ação neste momento. Por um lado, a ação da AT&T em 2026 parece um caso clássico de valor, sendo negociada a cerca de 6,9 vezes o lucro acumulado, com um rendimento de dividendos acima de 5%. Por outro lado, os pessimistas argumentam agora que toda a tese da fibra óptica e da rede sem fio enfrenta um concorrente que, há um mês, não existia como rival direto. Os otimistas veem uma máquina de dinheiro barata. Os pessimistas veem uma armadilha de valor. Ambos não podem estar certos.

Por que as ações da AT&T caíram esta semana

Três fatores ocorreram ao mesmo tempo. O gatilho veio em 26 de junho, quando o Financial Times noticiou que a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, disse aos investidores durante a turnê de apresentação da oferta pública inicial (IPO) que a empresa pretende lançar um serviço móvel de varejo sob a marca Starlink para consumidores dos EUA, potencialmente construindo sua própria rede sem fio terrestre. Isso redefine a SpaceX de uma parceira operadora para uma concorrente direta que tem como alvo os mais de 109 milhões de assinantes de celular da AT&T.

Wall Street já havia sinalizado o risco. O analista da Oppenheimer, Timothy Horan, rebaixou a classificação da AT&T de “Outperform” para “Perform”, removendo totalmente seu preço-alvo e classificando as constelações de satélites em órbita terrestre baixa como uma ameaça estrutural ao crescimento de longo prazo dos assinantes de banda larga e de telefonia móvel. Ele argumentou que a AT&T é a operadora norte-americana mais exposta, pois depende mais fortemente da banda larga. Além do dano à imagem, a AT&T foi removida do Índice Russell Top 50 na última reconstituição, o que obriga os fundos indexados a vender automaticamente, independentemente dos fundamentos.

A reação do mercado foi clara e negativa. As ações já haviam caído da faixa de US$ 23,50 no início de junho, e a divulgação sobre a Starlink, somada à exclusão do índice, levou-as a fechar em US$ 20,70 — uma queda de 30,11% em relação às máximas registradas em 30 de junho.

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O que a administração disse sobre o negócio de satélites antes da notícia vir à tona

É aqui que a história fica mais interessante do que a manchete. Três semanas antes da divulgação da Starlink, na Conferência de Tecnologia da Mizuho, em 9 de junho, o diretor financeiro da AT&T, Pascal Desroches, apresentou uma visão sobre os satélites que vale a pena manter diante do pânico atual. Ele não tratou os satélites como uma ameaça existencial ao negócio principal. Ele os tratou como uma oportunidade de parceria para os cerca de 1% do país que as redes terrestres não conseguem alcançar de forma economicamente viável.

“Mas nas áreas urbanas e suburbanas, a verdade é que a infraestrutura existente é melhor. É mesmo. O custo por bit para transmissão é mais barato. E esses mercados são competitivos, com concorrentes bem estabelecidos”, disse Desroches. Seu argumento foi que a tecnologia via satélite se encaixa na cobertura de áreas rurais remotas, onde a implantação de fibra óptica ou estações de celular é proibitiva, e que a AT&T prefere fazer parcerias com provedores de satélite para tornar a cobertura ininterrupta do que competir com eles em mercados densos. Isso é importante porque mostra que a administração não acredita que sua área de cobertura de alto valor seja onde o satélite se destaca. A ressalva: Desroches estava falando sobre banda larga via satélite para lacunas rurais, não sobre a ameaça da telefonia móvel direta ao consumidor que surgiu semanas depois; portanto, os comentários de 9 de junho definem o debate, em vez de resolvê-lo.

O argumento otimista se baseia na convergência, não na defesa. Desroches foi direto ao explicar por que o pacote funciona: “Nossos clientes que têm tanto fibra quanto serviço sem fio são aqueles com menor taxa de cancelamento, maior valor ao longo da vida e seu NPS é mais alto do que o de nossa base geral.” A AT&T espera encerrar este ano com cerca de 40 milhões de residências com acesso à fibra e ultrapassar 60 milhões até 2030. A lógica é que cada residência com fibra óptica representa uma oportunidade de vender também serviços sem fio, e essas residências com pacotes combinados não cancelam seus contratos. Se isso se confirmar, um novo participante do mercado de satélite que venda um plano móvel isolado estará atacando os clientes mais vulneráveis da AT&T, e não os melhores.

A questão da avaliação por trás do barulho

Se deixarmos de lado a narrativa, os números descrevem uma empresa de telecomunicações de crescimento lento, mas geradora de caixa, cujo preço reflete pessimismo. A AT&T é negociada a um EV/EBITDA NTM de 6,38x, aproximadamente em linha com a mediana do setor, próxima a 6,2x, mas com um desconto em relação à sua concorrente doméstica mais próxima. A Verizon está em 6,85x no mesmo indicador, enquanto a Deutsche Telekom é negociada a 5,99x. Portanto, a AT&T não é a maior empresa de telecomunicações mais barata, mas o mercado está aplicando um múltiplo de declínio estrutural a um negócio que ainda apresenta crescimento na receita, ainda que lento.

O problema é a alavancagem, e ela é real. A AT&T apresenta uma dívida líquida nos últimos 12 meses (LTM) de cerca de US$ 147,8 bilhões e uma relação dívida líquida/EBITDA de 2,93x. A administração prevê o retorno da alavancagem para a faixa de 2,5x dentro de aproximadamente três anos após o fechamento dos negócios com a EchoStar e a Lumen, mas esse caminho pressupõe que a expansão da rede de fibra óptica gere os retornos prometidos pela administração. A contrapartida da Oppenheimer é precisa: ela espera que a penetração da fibra óptica seja decepcionante e que a expansão pare em cerca de 50 milhões de residências, em vez da meta de mais de 60 milhões, o que faria com que os pesados gastos de capital gerassem retornos mais fracos. Esse é o ponto-chave em torno do qual toda a tese gira.

Assim, o leitor se depara com uma divergência genuína. Se a convergência mantiver a rotatividade baixa e o fluxo de caixa livre se recuperar à medida que os gastos de capital diminuírem, o preço da ação está subvalorizado. Se o satélite perder assinantes enquanto a alavancagem permanecer alta, o desconto é justificado. O modelo TIKR ajuda a quantificar de que lado a matemática se inclina.

EV/EBITDA da AT&T nos próximos 12 meses (TIKR)

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Análise avançada do modelo TIKR

  • Preço atual: US$ 20,70
  • Preço-alvo (médio): ~US$ 36
  • Retorno total potencial: ~74%
  • TIR anualizada: ~13%/ano
Modelo Avançado de Avaliação da AT&T (TIKR)

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Utilizando o cenário intermediário, que o modelo projeta para o final de 2030, o Modelo de Avaliação da TIKR aponta para um preço-alvo de cerca de $36, o que implica um retorno total de aproximadamente 74% nos próximos 4,5 anos, ou cerca de 13% anualizados. Esse é um número impressionante para uma empresa de telecomunicações e decorre quase inteiramente da diferença entre um preço bastante desvalorizado e premissas operacionais modestas, e não de um crescimento espetacular.

Os dois fatores que impulsionam a receita são a expansão da banda larga de fibra óptica para mais de 60 milhões de conexões e a receita estável dos serviços sem fio, impulsionada pela baixa rotatividade de clientes devido à convergência. O fator que impulsiona a margem é a margem de lucro líquido, que se mantém em torno de 13% à medida que a rede de cobre é desativada e os custos com infraestrutura duplicada são eliminados. O cenário intermediário pressupõe um crescimento da receita de cerca de 3% ao ano, bem ao alcance, considerando que a AT&T registrou um crescimento de 2,7% na receita no ano passado.

O lado positivo: se a alavancagem cair para cerca de 2,5x e o fluxo de caixa livre subir à medida que os gastos de capital diminuírem, o mercado reavaliará o múltiplo e as ações reduzirão a diferença em relação ao valor justo.

O lado negativo: se o Starlink acelerar a perda de assinantes ou a implantação da fibra óptica estagnar perto de 50 milhões de residências, o crescimento estagnará, a desalavancagem será prejudicada e o desconto persistirá ou se ampliará.

Conclusão

O próximo indicador concreto será o fluxo de caixa livre do segundo trimestre de 2026, divulgado por volta de 22 de julho. A administração projetou um valor entre US$ 4,0 bilhões e US$ 4,5 bilhões e reafirmou essa faixa no início de junho. Um resultado igual ou superior a US$ 4,0 bilhões indica que o pânico em torno da Starlink está se antecipando aos fundamentos e que a geração de caixa está intacta. Um resultado abaixo de US$ 4,0 bilhões dá aos pessimistas a prova de que buscam e coloca a questão da alavancagem de volta no centro das atenções. Fique de olho nesse número em relação à faixa prevista e observe se a administração aborda diretamente a ameaça da Starlink no mercado de telefonia móvel de varejo durante a teleconferência. A avaliação sugere que o medo pode ser exagerado. É em 22 de julho que a empresa terá a chance de provar isso.

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