Ações da Micron sobem 15% após um terceiro trimestre de 2026 recorde. Veja qual pode ser a trajetória das ações

Wiltone Asuncion8 minutos de leitura
Avaliado por: David Hanson
Última atualização Jun 26, 2026

Principais dados da ação da Micron

  • Preço atual: US$ 1.213,56
  • Preço-alvo (médio): ~US$ 1.180
  • Preço-alvo do mercado: ~US$ 1.230
  • Retorno total potencial: ~(3)%
  • TAR anualizada: ~(1)% / ano
  • Reação aos resultados: +15,74% (24 de junho de 2026)

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O que aconteceu?

Micron Technology (MU) acabou de fazer algo que as empresas do setor de memória quase nunca fazem: fez com que a demanda por IA parecesse previsível. Em 24 de junho, a fabricante de chips divulgou o trimestre mais lucrativo de seus 48 anos de história e, em seguida, informou aos investidores que havia assinado contratos que os clientes não têm permissão para cancelar. As ações subiram 15,74% na sessão seguinte. Para uma empresa cujos produtos foram por décadas avaliados pelo mercado como commodities, sujeitas a ciclos, essa reação foi o ponto principal.

A tensão agora é acirrada. Os otimistas veem uma empresa que escapou do ciclo de memórias, com contratos plurianuais que garantem os preços e uma escassez que, segundo a administração, se estenderá até depois de 2027. Os pessimistas veem uma ação que subiu mais de 800% em um ano e que agora é negociada acima do nível que quase todos os modelos, incluindo a própria meta média de Wall Street, indicam que ela deveria estar. A pergunta que o mercado ainda não consegue responder: se este trimestre é o novo normal, qual é o seu valor?

Um resultado que superou até mesmo a meta elevada

A Micron entrou na divulgação dos resultados com expectativas já elevadas. Pelo menos seis bancos haviam dobrado seus preços-alvo em uma única semana de junho, e a ação já havia ultrapassado a maioria deles. Mesmo assim, a empresa superou as expectativas.

A receita ficou em US$ 41,46 bilhões, acima dos US$ 9,30 bilhões do ano anterior e bem acima dos cerca de US$ 35,8 bilhões previstos pelos analistas. O lucro não GAAP de US$ 25,11 por ação superou o consenso de quase US$ 20. A margem bruta atingiu um recorde de 84,9%, ante 39% no ano anterior. O negócio principal de data centers foi o motor, com a receita nesse segmento subindo mais de sete vezes, para US$ 11,5 bilhões.

As projeções foram além do trimestre. A administração projetou uma receita para o quarto trimestre fiscal de cerca de US$ 50 bilhões, com variação de mais ou menos US$ 1 bilhão, com margem bruta próxima a 86% e lucro de cerca de US$ 31 por ação. Essa perspectiva está bem acima dos cerca de US$ 43,6 bilhões que o mercado havia previsto. Não foi uma surpresa positiva pequena. Foi uma reavaliação do que a Micron lucra.

Receita operacional da CDBU da Micron (TIKR)

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Os contratos são o verdadeiro destaque

O número que mudou o debate não foi a receita. Foram US$ 22 bilhões: o total de compromissos financeiros e em dinheiro vinculados a 16 Acordos Estratégicos com Clientes (SCAs), que são contratos de fornecimento de longo prazo com operadoras de data centers, montadoras e outros compradores. Quase US$ 18 bilhões desse montante são depósitos em dinheiro adiantados já em caixa.

O diretor de negócios, Sumit Sadana, foi direto ao falar sobre o caráter vinculativo desses acordos. “Esses Acordos Estratégicos com Clientes, ou SCAs, não podem ser cancelados”, disse ele aos analistas, descrevendo contratos do tipo “take-or-pay” que obrigam os clientes a pagar o preço multiplicado pelo volume, “quer queiram comprar os bits ou não”. Isso combate exatamente o medo que há anos limita o múltiplo da Micron: que a demanda desapareça e os preços desabem. Uma carteira de contratos “take-or-pay” não elimina a sazonalidade, mas estabelece um piso contratual para a receita que a memória como commodity nunca teve.

Sadana também expôs a ambição. Os acordos cobrem hoje cerca de 20% dos bits de DRAM e um terço dos bits de NAND, e a administração pretende expandir isso “até representar, aproximadamente, metade da receita da empresa”. O diretor financeiro Mark Murphy explicou claramente o atrativo: “Ganhamos visibilidade sobre nossa demanda; é um volume comprometido que nos permite ter confiança para fazer nossos investimentos.”

Receita e margem bruta da Micron (TIKR)

A oferta continua escassa, e esse é o ponto

Esses acordos têm peso porque a oferta não consegue acompanhar a demanda. A Micron espera um mercado restrito além de 2027, e Murphy afirmou que o mercado de memória de alta largura de banda (HBM) — a DRAM premium que acompanha os processadores de IA — ultrapassará US$ 100 bilhões em 2027, um ano antes do que a empresa previa anteriormente. A restrição é física: a HBM utiliza muito mais silício por bit do que a DRAM padrão, e as novas fábricas em fase de construção não terão produção significativa até o ano civil de 2028.

Esse também é o cenário pessimista. A Micron está aumentando os gastos de capital para o ano fiscal de 2026 para cerca de US$ 27 bilhões e sinalizou que, no ano fiscal de 2027, esses gastos ficarão acima da faixa média de US$ 40 bilhões. Esses gastos financiam os lucros decorrentes da escassez, mas ocorrem antes que alguém possa confirmar se a demanda se manterá.

Em termos de avaliação, a Micron parece barata em comparação com suas concorrentes do setor de memória. De acordo com os dados de concorrentes da TIKR, ela é negociada a um EV/EBITDA para os próximos doze meses de 6,45x, contra uma média do setor de semicondutores próxima a 22,6x. Sua rival mais próxima, a SK Hynix, está em 5,40x, de modo que a Micron apresenta um ligeiro prêmio em relação à Hynix e um grande desconto em relação ao grupo mais amplo. Essa diferença reflete a relutância de longa data do mercado em pagar a mais pela ciclicidade do setor de memória. Se os SCAs justificam o fechamento dessa diferença, é uma questão em aberto.

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Análise Avançada do Modelo TIKR

  • Preço atual: US$ 1.213,56
  • Preço-alvo (médio): ~US$ 1.180
  • Retorno total potencial: ~(3)%
  • TIR anualizada: ~(1)% / ano
Modelo Avançado de Avaliação da Micron (TIKR)

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É aqui que a euforia se encontra com a matemática. Com base nas premissas do cenário médio do TIKR, o modelo aponta para um preço-alvo de cerca de US$ 1.180, um pouco abaixo dos atuais US$ 1.213,56. Isso implica um retorno total próximo a -3% e um retorno anualizado de cerca de -1% nos próximos 4,2 anos. Após uma das maiores altas da história das empresas de tecnologia de grande capitalização, o cenário base indica que a ação está avaliada de forma razoavelmente justa a moderadamente cara. 

O mercado concorda: seu preço-alvo médio situa-se em torno de US$ 1.230, pouco acima do preço atual, mesmo após os aumentos pós-divulgação dos resultados. Dos 45 analistas, 29 classificam a MU como “Comprar”, 9 como “Desempenho Superior”, 5 como “Manter”, 1 como “Desempenho Inferior” e 1 como “Vender”.

O cenário intermediário não é tímido. Ele pressupõe um crescimento da receita de cerca de 15% ao ano, uma margem de lucro líquido próxima a 70% e um crescimento do lucro por ação (EPS) de cerca de 28% ao ano. Os dois fatores que impulsionam a receita são a expansão do volume de HBM para um mercado de mais de US$ 100 bilhões em 2027 e a carteira de SCA, que converte pedidos confirmados em vendas recorrentes. O fator que impulsiona as margens é a manutenção dos preços da DRAM e da HBM devido à escassez estrutural de oferta. O principal risco é que o aumento dos investimentos (capex) no ano fiscal de 2027 colida com uma queda repentina na demanda, à medida que a oferta de novas instalações (greenfield) chegar em 2028.

O lado positivo em uma frase: se a Micron mantiver essas margens durante a próxima fase de baixa, o ciclo terá realmente se quebrado, e o modelo estará muito otimista. 

O lado negativo em uma frase: se os preços se normalizarem com o aumento da capacidade, os lucros e os múltiplos se comprimirão juntos — um padrão que os investidores em memória conhecem bem.

Conclusão

Todo o debate gira em torno de um aspecto que os SCAs ainda não conseguem comprovar: a durabilidade durante uma recessão. Fique de olho nos resultados do quarto trimestre fiscal, previstos para o final de setembro de 2026, em relação à orientação de receita de US$ 50 bilhões e margem bruta de aproximadamente 86%. Se atingir ambas as metas, o argumento de que a Micron passou por uma reavaliação estrutural fica muito mais forte — um quarto recorde consecutivo baseado em preços que a empresa considera contratualmente garantidos. Se a receita ficar abaixo de US$ 48 bilhões ou a margem bruta abaixo de 84%, o mercado começará a questionar se o pico dos lucros foi atingido neste trimestre. O teste mais decisivo virá mais tarde, quando as primeiras faixas de preços do SCA forem redefinidas e os investidores perceberem qual é o piso do conceito de “não cancelável” em um mercado mais fraco. Até lá, o preço das ações reflete a expectativa de que o cenário otimista continue se confirmando.

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