Principais dados sobre as ações da Intel
- Preço atual: US$ 133,99
- Preço-alvo (médio): ~US$ 300
- Preço-alvo do mercado: ~US$ 94
- Retorno total potencial: ~125%
- Taxa de retornointerno (IRR) anualizada: ~20%/ano
- Reação aos resultados: 23,60% (24 de abril de 2026)
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O que aconteceu?
Intel Corporation (INTC) se tornou o tipo de ação que divide opiniões. Ela começou em 2026 perto de US$ 37 e agora é negociada a US$ 133,99, um ganho de aproximadamente 260% que transformou uma fabricante de chips considerada perdida em uma das principais histórias de recuperação do ano. A reviravolta já não é mais motivo de debate. O que está em debate é o preço.
Essa tensão se acentuou na semana passada. Em 18 de junho, as ações subiram 10,6% depois que o presidente Trump postou que a Apple havia concordado em trabalhar com a Intel para projetar e fabricar chips nos Estados Unidos. Nenhuma das empresas confirmou a notícia, e a Intel limitou-se a dizer que não comentaria sobre um possível acordo. As ações subiram mesmo assim, porque o mercado agora avalia a Intel como a fundição americana padrão, e uma vitória da Apple validaria essa tese como nada mais.
Aqui está o problema para quem estiver comprando hoje. A meta média de Wall Street situa-se em torno de US$ 94, cerca de 30% abaixo do preço atual. O modelo TIKR, com base em suas premissas de cenário intermediário, aponta exatamente na direção oposta, para cerca de US$ 300 até 2030. Três pontos de referência, três respostas. Então, após uma alta de 260%, esse receio é racional ou está criando mais uma oportunidade de entrada?
O que o acordo com a Apple realmente muda
Comecemos pelo que é verificável. A Apple não está transferindo seus principais chips para a Intel. De acordo com reportagens sobre o acordo, a Apple usaria o processo 18A-P da Intel apenas para chips de gama baixa, enquanto a Taiwan Semiconductor mantém mais de 90% de seu fornecimento. As duas partes teriam chegado a um acordo preliminar após mais de um ano de negociações; portanto, o anúncio oficial apenas formalizou algo que já estava em andamento.
O que torna isso credível é o momento. A Intel informou em 16 de junho que o 18A-P, o nó aprimorado desenvolvido para os chips da Apple, havia entrado em produção de risco, com desempenho cerca de 9% superior com o mesmo consumo de energia em comparação com o 18A básico. A prontidão da fabricação e o interesse do cliente estão ocorrendo simultaneamente, que é exatamente como deve ser uma reviravolta no setor de fundição.
O acordo também não é isolado. Reportagens recentes indicaram que o Google fez um pedido de mais de 3 milhões de chips de IA personalizados à Intel Foundry para 2028 e que a Nvidia está avaliando o nó 18A da Intel. Independentemente de qualquer um desses acordos ser fechado nos termos divulgados, o padrão é o que importa: a Intel está sendo testada pelos clientes que realmente importam.

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Os fundamentos estão se recuperando, aos poucos
O argumento pessimista não é que o negócio esteja se deteriorando. É que uma empresa ainda em reconstrução está avaliada como se fosse um produto pronto. A margem bruta da Intel nos últimos 12 meses (LTM) é de 37,2%, e sua margem EBIT é de apenas 3,7% — acima do nível mais baixo, mas longe de seu perfil anterior.
A trajetória é o que atrai os otimistas. A Intel registrou agora o sexto trimestre consecutivo de receita acima de suas próprias expectativas, com receita no primeiro trimestre de 2026 de US$ 13,6 bilhões e o segmento de Data Center e IA — que comercializa CPUs e aceleradores para servidores — apresentando alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro por ação (EPS) normalizado passa de território negativo para uma estimativa de US$ 1,09 neste ano e US$ 2,27 até 2028. O fluxo de caixa livre, ainda negativo nos últimos 12 meses, deve se tornar positivo já em 2026, à medida que as perdas com a área de fundição diminuem.
A indicação mais clara da ambição da administração veio da Conferência Global de Tecnologia do Bank of America, em 2 de junho. O diretor financeiro David Zinsner confirmou que a Intel tem como meta a “Regra dos 45”, o que significa que o crescimento da receita mais a margem operacional somam 45. “Lip-Bu tem se concentrado bastante nessa meta”, disse ele, apresentando-a como uma meta plurianual. Isso mostra o que a empresa está buscando: crescimento lucrativo, não crescimento a qualquer custo.
Mais concreto foi seu comentário sobre a questão que determina o desempenho dessa ação: os rendimentos da fundição. A Intel “provavelmente vai antecipar esses marcos em pelo menos um trimestre, possivelmente até um pouco mais” no caminho para margens que sustentem a fundição — um cronograma anteriormente previsto para o final de 2027. Sobre o próximo nó, ele foi mais direto: “Já estamos à frente no 14A.” Quando uma recuperação depende da execução da fabricação, o fato de a administração antecipar os prazos é o sinal mais importante.
A tensão na avaliação, em termos simples
Então, quem está certo: o mercado, com US$ 94, ou o modelo, com US$ 300? Ambos são internamente consistentes. Eles apenas partem de premissas diferentes.
O mercado está ancorado nos resultados divulgados. Com base nisso, a Intel é negociada a cerca de 126x os lucros NTM e 34x o EV/EBITDA NTM — múltiplos elevados para uma empresa que ainda registra prejuízos segundo os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP). Em comparação com os concorrentes, a Intel parece cara: a Nvidia é negociada perto de 21x os lucros futuros e a Broadcom perto de 26x, ambas muito mais lucrativas atualmente, enquanto a Micron fica perto de 11x. O prêmio da Intel só se justifica se a base de lucros contra a qual seu preço é comparado estiver prestes a mudar. O mercado ainda não está disposto a apostar nisso.
O modelo, sim. No cenário intermediário da TIKR, um CAGR de receita de cerca de 12% e uma margem de lucro líquido se recuperando em direção a 15% impulsionam um crescimento do lucro por ação (EPS) de cerca de 28% ao ano. Essas duas alavancas de receita — a demanda por CPUs para servidores decorrente da mudança para IA de inferência e IA agentiva, além de clientes externos de fundição comprometendo volumes — são exatamente o que Zinsner apontou. A alavanca de margem é a utilização da capacidade fabril, já que os elevados custos fixos da Intel fazem com que volumes maiores se traduzam desproporcionalmente em lucro. O risco é o oposto: se os rendimentos dos processos 18A e 14A caírem, a recuperação das margens que justifica a valorização nunca ocorrerá.
Essa é a encruzilhada. Cenário otimista: a Intel converte seu pipeline de fundição em volumes comprometidos, as margens se recuperam e as ações avançam em direção a cerca de US$ 300. Cenário pessimista: a execução tropeça, o múltiplo de prêmio se comprime diante de lucros escassos e grande parte da alta de 260% — que havia sido precificada com perfeição — se desfaz.

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Análise avançada do modelo TIKR
- Preço atual: US$ 133,99
- Preço-alvo (médio): ~US$ 300
- Retorno total potencial: ~125%
- TIR anualizada: ~20%/ano

Este cálculo utiliza o cenário médio do TIKR: cerca de US$ 300 até 2030, um retorno total próximo a 125%, ou aproximadamente 20% anualizados ao longo de cerca de quatro anos e meio. Os dois fatores que impulsionam a receita são a demanda por CPUs para servidores, decorrente da mudança na IA em direção à inferência e à computação agentiva, e a conversão de avaliações em volumes comprometidos por parte de clientes externos de fundição. O fator que impulsiona a margem é o aumento da utilização da capacidade fabril, absorvendo os custos fixos de fabricação da Intel. O principal risco é o desempenho do rendimento nos processos 18A e 14A.
Cenário otimista: os rendimentos atingem a meta no prazo antecipado, e as premissas de margem se mostram conservadoras.
Lado negativo: a execução sofre atrasos, o múltiplo se comprime e grande parte da alta se reverte.
Conclusão
Fique de olho em um número no dia 23 de julho, quando a Intel divulgar os resultados do segundo trimestre: a margem bruta não GAAP. A administração projetou cerca de 39% para o ano, abaixo dos 41% do primeiro trimestre. Se mantiver em 39% ou acima, a recuperação dos rendimentos e dos preços será real e dentro do cronograma, que é o que o cenário de US$ 300 precisa. Se cair abaixo de 37%, o cronograma se deslocará para a direita, dando aos pessimistas o argumento de que as ações se anteciparam aos resultados do negócio. Todo o resto é narrativa. Esse número é o placar.
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