Principais indicadores das ações da Copart
- Preço atual: US$ 28,10
- Preço-alvo (médio): ~US$ 42
- Preço-alvo do mercado: ~US$ 41
- Retorno total potencial: ~51%
- TAR anualizada: ~11%/ano (horizonte até meados de 2030)
- Reação aos resultados: -1,77% (21 de maio de 2026)
- Queda máxima: 43,77% (29 de junho de 2026)
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O que aconteceu?
Copart, Inc. (CPRT) perdeu 8% de seu valor em um único pregão no dia 29 de junho, e o gatilho não foi um número na demonstração de resultados. Foi um nome. A empresa anunciou que Jeff Liaw, seu terceiro diretor executivo na história, deixará o cargo em 31 de julho, com o presidente executivo Jay Adair retornando à função que ocupou por quatorze anos. As ações fecharam a US$ 28,10, uma nova mínima em 52 semanas e 43,77% abaixo de sua máxima. Para uma empresa que acabou de divulgar preços recordes em leilões há cinco semanas, essa é uma reação violenta a uma reorganização na liderança.
O mercado está nervoso, e o motivo é o momento. A CPRT já vem registrando forte queda ao longo do último ano devido à redução nos volumes de seguros. Uma mudança surpresa no cargo de CEO, somada a isso, dá aos pessimistas um argumento claro: que o conselho vê algo de que não gosta. Os otimistas veem o contrário: que o retorno de um executivo da era do fundador a um balanço patrimonial sólido, em uma cotação mínima de 52 semanas, é uma oportunidade, não um sinal de alerta. A questão-chave que o mercado ainda não consegue responder é se o retorno de Adair sinaliza uma redefinição de estratégia ou simplesmente uma transição planejada, apresentada com linguagem dramática. O próprio documento apresentado pela Copart aborda parte disso diretamente, e os dados operacionais revelam o restante.
Por que a mudança na liderança abalou os investidores
Adair não é um profissional externo trazido de fora para consertar uma empresa em crise. Ele dirigiu a Copart de 2010 a 2024, ingressou na empresa em 1989 aos 19 anos e atuou como co-CEO ao lado de Liaw antes de assumir o cargo de presidente executivo. Seu retorno é, segundo a interpretação do conselho, uma continuidade e não uma ruptura. A empresa afirmou claramente que a renúncia de Liaw não foi resultado de qualquer desacordo sobre relatórios financeiros, políticas ou práticas. Liaw permanecerá como consultor especial até julho de 2027 para gerenciar a transição.
Esse contexto é importante porque reinterpreta a queda. No anúncio da transição, Adair reconheceu diretamente o mérito do CEO que está deixando o cargo: “Sob sua liderança, a empresa alcançou valores de transação, preços médios de venda e liquidez em leilões sem precedentes.” Essa não é a linguagem de uma empresa que está se livrando de um executivo fracassado. Parece uma sucessão ordenada que o mercado optou por vender primeiro e analisar depois.
Há um segundo catalisador, mais discreto, por trás disso. A Copart está sendo reclassificada para os índices Russell Midcap e Russell Midcap Value, uma mudança que altera quais fundos de índice detêm as ações. As vendas automáticas ligadas à recomposição de um índice podem amplificar um movimento que os fundamentos, por si só, não justificariam, o que é uma das razões pelas quais uma queda de 8% em um único dia teve um impacto mais forte do que as notícias, possivelmente, justificavam.

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O negócio que o mercado está vendendo
Aí está o dilema. A empresa por trás desse drama de liderança não está se deteriorando. No terceiro trimestre fiscal de 2026, divulgado em 21 de maio, a Copart registrou um crescimento de 2,1% na receita, para US$ 1,24 bilhão, superando a estimativa do mercado de US$ 1,20 bilhão. O lucro por ação diluída subiu 2,4%, para US$ 0,43, dois centavos acima do consenso. O lucro bruto subiu 3,7%, para US$ 572,6 milhões, com as margens brutas expandindo-se 71 pontos-base, para 46,3%.
O dado que assusta os investidores é o volume. As unidades de seguros globais caíram 2,7%, e as unidades de seguros nos EUA recuaram 4,2%. Mas os leilões foram responsáveis pelo trabalho pesado que a contagem de unidades esconde. Os preços médios de venda dos veículos com seguro nos EUA — o valor médio em dólares que cada veículo alcança — subiram 4,1%, atingindo um recorde histórico ajustado sazonalmente para um terceiro trimestre fiscal. Esse poder de precificação é estrutural, e Liaw explicou sua origem na teleconferência do terceiro trimestre: “Hoje, para os vendedores de veículos com seguro nos EUA na Copart, a proporção de unidades em venda pura está em níveis recordes. Estimamos que nosso volume de vendas puras de veículos com seguro seja, literalmente, uma ordem de magnitude maior do que o disponível em outras plataformas semelhantes.” A venda pura, ou seja, leilões sem preço mínimo, atrai lances mais agressivos porque os compradores sabem que o carro será realmente vendido.
O segmento internacional está apresentando desempenho ainda melhor. A receita nesse segmento cresceu 14,1%, com o total de unidades aumentando 5,9% e contribuições de destaque do Reino Unido, da Alemanha e do Canadá. Quando a atividade de sinistros nos EUA diminui, a rede global de compradores absorve a queda. Liaw descreveu a mudança na demanda durante a teleconferência, observando que, à medida que certos corredores do Oriente Médio se moderaram em meio a conflitos globais, outros se expandiram para preencher a lacuna, incluindo partes da Europa Central, África Ocidental, América Central e Caribe. Os compradores internacionais representam agora mais de um terço do volume vendido em leilões nos EUA e quase metade da receita dos leilões.
A própria desaceleração no volume é o tipo de fenômeno que tende a se reverter. Liaw apontou dados macroeconômicos que mostram que os “car years” (anos-veículo), uma medida da cobertura de veículos segurados, caíram 4% em relação ao ano anterior no quarto trimestre civil de 2025, mesmo com o número de veículos em operação tendo crescido 1,4%. Esse número, segundo dados do ISS Fast Track citados na teleconferência, reflete a redução da cobertura de seguro por parte dos consumidores à medida que os prêmios aumentam. A avaliação da administração é de que essa retração é cíclica, e não permanente, pois as famílias acabam restabelecendo a cobertura de que precisam.

O que a avaliação indica
A US$ 28,10, a Copart é negociada a cerca de 17 vezes o lucro acumulado. Em comparação, dados de terceiros situam seu P/L mediano de cinco anos em cerca de 34 vezes, o que significa que as ações são negociadas atualmente a aproximadamente metade de sua valorização típica. Um caixa líquido de mais de US$ 4,1 bilhões e ausência de dívida conferem ao novo CEO uma flexibilidade incomum para recomprar ações ou investir ao longo do ciclo, e a empresa já recomprou mais de 43,4 milhões de ações por mais de US$ 1,6 bilhão no ano fiscal até o momento.
Em relação aos múltiplos do setor, o desconto é real, mas vale a pena contextualizá-lo. A Copart é negociada em torno de 10,9x EV/EBITDA NTM, uma medida do valor empresarial em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) projetado. Esse valor fica abaixo do da RB Global, sua concorrente no setor de leilões, que está em 16,5x, e está praticamente em linha com a ACV Auctions, em 14,1x. Se as margens mais altas e a liquidez dominante da Copart no mercado de leilões justificam o fechamento dessa lacuna depende da única variável da qual tudo depende: se os volumes do setor de seguros dos EUA se recuperarão.
O mercado não abandonou a empresa. A meta média dos analistas situa-se em torno de US$ 41, bem acima do preço atual, em um cenário de 5 recomendações de “Comprar”, 3 de “Desempenho Superior”, 5 de “Manter”, 1 de “Desempenho Inferior” e nenhuma de “Vender”. Essa distribuição mostra um mercado cauteloso quanto ao momento, mas não pessimista em relação ao negócio.
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Análise Avançada do Modelo TIKR
- Preço atual: US$ 28,10
- Preço-alvo (médio): ~US$ 42
- Retorno total potencial: ~51%
- TIR anualizada: ~11%/ano

Utilizando o cenário intermediário do TIKR, o modelo avalia a Copart em cerca de US$ 42 por ação, valor a ser alcançado até meados de 2030, o que implica um retorno total de aproximadamente 51% a partir de hoje e uma TIR anualizada de cerca de 11% nos próximos quatro anos ou mais. O cenário moderado é a referência adequada neste caso, pois leva em conta uma continuidade na fraqueza dos volumes, em vez de uma recuperação acentuada, o que corresponde à realidade cautelosa que o mercado está precificando.
Dois fatores impulsionam a receita no modelo: o crescimento contínuo do preço médio de venda, impulsionado por preços recordes nos leilões, e a expansão internacional liderada pelo Reino Unido, Alemanha e Canadá. O fator que impulsiona as margens é a base de custos estruturalmente compacta da Copart, que manteve as margens de lucro líquido em torno de 32% mesmo durante o declínio no volume. O principal risco é que a fraqueza no volume de sinistros nos EUA se revele estrutural, e não cíclica, caso as seguradoras retenham permanentemente mais veículos e os consumidores continuem com cobertura insuficiente.
O lado positivo: se a atividade de sinistros se normalizar e a frequência de perdas totais continuar subindo, o cenário otimista do modelo aponta para retornos significativamente maiores, à medida que tanto o volume quanto os preços atuam em conjunto.
O lado negativo: se os volumes permanecerem reduzidos, o cenário mais pessimista ainda produz um retorno anualizado positivo a partir desse nível de entrada deprimido, pois o poder de fixação de preços e o modelo com poucos ativos mantêm o fluxo de caixa.
Conclusão
A mudança na liderança já está precificada. O verdadeiro teste chegará com os resultados do quarto trimestre fiscal de 2026, previstos para o início de setembro, e o indicador que importa é o volume de unidades de seguros nos EUA. Se a queda ano a ano diminuir em relação aos 4,2% registrados no terceiro trimestre, isso confirmará a tese cíclica e dará a Adair um caminho livre. Se a queda se mantiver ou se ampliar, os pessimistas terão sua prova de que o problema de volume é estrutural, e o desconto se tornará uma armadilha de valor, em vez de uma oportunidade. Fique de olho nesse dado em setembro. Ele dirá mais do que qualquer comentário sobre o novo CEO.
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