Principais indicadores das ações da Carvana
- Preço atual: US$ 62,35
- Preço-alvo (médio): ~US$ 148
- Preço-alvo do mercado: ~US$ 92
- Retorno total potencial: ~138%
- TIR anualizada: ~21%/ano
- Reação aos resultados: -0,20% (29 de abril de 2026)
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O que aconteceu?
Carvana Co. (CVNA) passou três anos sendo avaliada pelo fator que poderia levá-la à ruína: a dívida. Em 2023, a varejista online de carros usados estava negociando com credores e apresentava uma alavancagem líquida na casa dos dois dígitos. Esse receio nunca desapareceu totalmente das ações, mesmo com a recuperação dos negócios. É por isso que a CVNA é negociada com um prêmio elevado em relação a todas as concessionárias tradicionais, mas ainda assim está mais próxima de sua mínima de 52 semanas, de US$ 54,46, do que de sua máxima, de US$ 97,38.
Então, eis a tensão que quase ninguém está levando em conta. O único número que definia o cenário pessimista está desaparecendo discretamente. Os otimistas argumentam que a Carvana é uma empresa de grande escala, geradora de caixa e com crescimento composto. Os pessimistas rebatem que o múltiplo de prêmio não pode sobreviver a uma expansão intensiva em capital e a um balanço patrimonial que ainda apresenta US$ 2,7 bilhões em dívida líquida. A questão que nenhum dos dois lados levou totalmente em conta: o que acontecerá com esse debate quando a dívida simplesmente desaparecer?
O balanço patrimonial mais sólido da história da empresa
Na teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026, o diretor financeiro Mark Jenkins apresentou um número concreto sobre a recuperação. “No primeiro trimestre, reduzimos novamente nossa relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses para 1,1x, nossa posição financeira mais sólida de todos os tempos”, disse ele. Isso é importante porque a alavancagem foi a única razão pela qual o mercado, em determinado momento, precificou a Carvana como se estivesse fadada ao fracasso. Uma empresa com 1,1x não é mais uma questão de crédito. É uma questão de lucros.
A melhora não é superficial. A Carvana gerou US$ 405 milhões de lucro líquido no primeiro trimestre, com receita de US$ 6,432 bilhões, um aumento de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA ajustado atingiu um recorde de US$ 672 milhões, com margem de 10,4%. O fluxo de caixa livre que serve para pagar e amortizar dívidas agora é gerado pelas operações, e não captado junto a credores. Essa é a mudança estrutural que as ações ainda não refletiram.
O CEO Ernie Garcia destacou a sustentabilidade do modelo na mesma teleconferência, apontando para a recuperação do setor de recondicionamento da empresa: “Quando enfrentarmos um obstáculo, vamos reagir da mesma forma que o setor de recondicionamento reagiu. Ninguém pode nos impedir, a não ser nós mesmos.” Essa afirmação é importante porque o desempenho abaixo do esperado no recondicionamento no quarto trimestre de 2025 foi o último susto operacional associado a essa ação, e Garcia confirmou que a rede estava operando “quase atingindo nosso melhor resultado de todos os tempos em eficiência de mão de obra em toda a rede” em abril.

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Por que o prêmio parece diferente quando analisado pela perspectiva do balanço patrimonial
O prêmio de avaliação da Carvana é real e vale a pena ser analisado diretamente. No EV/EBITDA projetado, que mede o valor da empresa em relação ao lucro operacional esperado, a CVNA é negociada perto de 15,2x. As concessionárias tradicionais ficam bem abaixo: a Penske (PAG) em 14,3x, a Lithia (LAD) em 13,5x e a AutoNation (AN) em 10,4x, com a média do setor mais próxima de 11,3x. Com base nessa única métrica, a Carvana parece cara.
Mas o valor empresarial inclui a dívida líquida, e esse é exatamente o número que está prestes a diminuir. À medida que a alavancagem cai, o valor empresarial da Carvana converge para baixo em direção à sua capitalização de mercado, o que significa que o múltiplo apontado pelos pessimistas se baseia, em parte, na dívida que está sendo quitada. Se eliminarmos o risco de alavancagem, o prêmio que o mercado está pagando começa a parecer menos uma aposta alavancada e mais um preço pelo crescimento que as concessionárias não conseguem igualar. As concessionárias apresentam crescimento de unidades na casa de um dígito baixo. A Carvana aumentou suas unidades de varejo em 40% no primeiro trimestre, seu sexto trimestre consecutivo nesse ritmo. Os investidores estão pagando pelo crescimento, e o balanço patrimonial está eliminando o motivo para descontá-lo.
A desalavancagem não é uma esperança. Ela está nas estimativas futuras. Dados de consenso sobre a TIKR mostram a dívida líquida caindo de aproximadamente US$ 2,7 bilhões em 2025 para cerca de US$ 1,5 bilhão em 2026, passando então para uma posição de caixa líquido em 2027 e acumulando caixa a partir daí. Esse caminho é uma estimativa dos analistas, não uma orientação da empresa, e pressupõe que os gastos de capital permaneçam contidos, mesmo com a administração iniciando a ampliação total das instalações de recondicionamento da ADESA e absorvendo os cerca de US$ 171 milhões gastos na aquisição das concessionárias da Stellantis. Uma empresa que passa de dívida líquida para caixa líquido em 18 meses não representa o mesmo risco que representava quando o mercado definiu esse múltiplo pela última vez. O Morgan Stanley chegou a uma conclusão semelhante em seu relatório de junho, projetando uma forte conversão de caixa à medida que os negócios se expandem, embora o RBC tenha reduzido sua meta para US$ 85 em junho, com base em premissas mais conservadoras sobre a participação de mercado. A divergência é real, mas trata-se de uma divergência sobre o ritmo da geração de caixa, não sobre se ela ocorrerá ou não.

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Análise avançada do modelo TIKR
- Preço atual: US$ 62,35
- Preço-alvo (médio): ~US$ 148
- Retorno total potencial: ~138%
- TIR anualizada: ~21%/ano

Utilizando o cenário médio concretizado em 31/12/30, o Modelo de Avaliação TIKR aponta para cerca de US$ 148 por ação, um retorno total potencial de aproximadamente 138% e um retorno anualizado próximo a 21% ao ano. Os dois fatores que impulsionam a receita são o crescimento contínuo das unidades, rumo à meta de longo prazo de 3 milhões de carros por ano, e o aumento da receita por unidade à medida que novas capacidades de recondicionamento entram em operação, com um crescimento da receita no cenário moderado na casa dos 15%. O fator determinante da margem é a alavancagem dos custos fixos: as despesas gerais crescem mais lentamente do que as unidades, elevando a margem líquida para cerca de 7% no caminho rumo à meta de margem de EBITDA ajustado de 13,5% declarada pela administração. O principal risco é o ciclo do mercado de carros usados, em que um mercado de trabalho mais fraco ou um crédito automotivo mais restrito desacelerariam as unidades e comprimiriam a rentabilidade por unidade.
O cenário otimista é simples: um balanço patrimonial com saldo de caixa líquido, aliado a ganhos contínuos de participação de mercado, justifica o prêmio e o retorno anual na casa dos 15% do modelo, mesmo com o crescimento da receita desacelerando do ritmo atual para a casa dos 15%.
O cenário negativo é igualmente claro: se o ciclo do mercado de carros usados se inverter, o crescimento das unidades desacelerará e o múltiplo de prêmio sobre os lucros cíclicos se comprimirá rapidamente.
Conclusão
Fique atento à dívida líquida quando a Carvana divulgar os resultados do segundo trimestre de 2026, em 29 de julho. O indicador a ser acompanhado é o índice de dívida líquida em relação ao EBITDA acumulado. Um cenário positivo seria mais uma redução sequencial em relação a 1,1x, confirmando que a empresa está no caminho certo para atingir caixa líquido em 2027 e eliminando o último pilar do cenário pessimista. O cenário negativo seria um aumento da alavancagem, à medida que os gastos de capital com reformas de instalações de recondicionamento e a ofensiva de veículos novos superassem a geração de caixa, o que daria aos pessimistas um motivo para continuar descontando o múltiplo. A expansão no segmento de carros novos não afetará as finanças em um único trimestre; portanto, o balanço patrimonial é o indicador mais claro. Se a desalavancagem se mantiver, a diferença entre US$ 62 e os US$ 148 do modelo deixará de ser uma questão de se a Carvana conseguirá sobreviver e passará a ser uma questão de quanto o mercado subvalorizou uma empresa de crescimento composto que ainda trata como se estivesse em recuperação.
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