As ações da Qualcomm subiram quase 6% com uma meta de US$ 300, a mais alta do mercado. Veja qual pode ser a trajetória das ações

Wiltone Asuncion9 minutos de leitura
Avaliado por: David Hanson
Última atualização Jul 7, 2026

Principais indicadores das ações da Qualcomm

  • Preço atual: US$ 186,48
  • Preço-alvo (médio): ~US$ 480
  • Preço-alvo do mercado: ~US$ 217
  • Retorno total potencial: ~160%
  • TAR anualizada: ~ 25%/ano
  • Queda máxima: 33 ,89% (4/7/26)

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O que aconteceu?

Qualcomm Incorporated (QCOM) subiu 5,80% em 6 de julho de 2026, fechando a US$ 186,48, e o motivo é um único número: US$ 300. Esse é o preço-alvo mais alto do mercado, reafirmado pelo analista Cody Acree, da Benchmark, naquela manhã, e implica um potencial de alta de mais de 60% em relação ao valor atual das ações. O movimento ocorreu em um dia em que a ação deveria estar sob pressão, o que torna a situação interessante. Ele também aconteceu durante uma sessão amplamente positiva para o setor de chips, com o setor de semicondutores subindo mais de 2%, de modo que parte do impulso veio do vento favorável do setor, e não apenas da QCOM.

Aqui está a tensão que o mercado não consegue resolver. Cerca de duas semanas após o Investor Day da Qualcomm, realizado em 24 de junho, a mesma ação está recebendo duas mensagens opostas de dois analistas na mesma segunda-feira. A Benchmark afirma que a mudança de foco para data centers é real o suficiente para justificar uma meta de US$ 300. Atif Malik, do Citi, que mantém uma classificação “Neutra” e um preço-alvo de US$ 198, iniciou naquela mesma manhã um acompanhamento de 30 dias sobre fatores que poderiam pressionar a alta, apontando que fabricantes chineses de smartphones estavam reduzindo drasticamente seus planos de remessas para 2026. A ação escolheu um lado e seguiu a tendência de alta.

Portanto, a questão para o segundo semestre de 2026 não é se a Qualcomm está se diversificando. O Investor Day já respondeu a isso. A questão é se os números apresentados pela administração são grandes o suficiente — e próximos o suficiente — para superar um negócio de celulares que ainda está sob pressão.

Por que as ações subiram quando deveriam ter caído

O catalisador da alta foi concreto. Acree, da Benchmark, saiu de uma conversa informal com líderes seniores da Qualcomm e reafirmou sua meta de US$ 300, a mais alta do mercado. Sua interpretação foi de que a reunião esclareceu como a Qualcomm planeja captar os gastos com data centers, com os lucros do ano fiscal de 2027 sustentados por pedidos de compra, chips personalizados já em produção e discussões ativas com dois clientes de hiperescala. Trata-se de uma perspectiva de receita específica e de curto prazo, não de uma promessa em uma apresentação de slides.

O fator de baixa surgiu no mesmo dia e foi igualmente concreto. Malik, do Citi, destacou que a Xiaomi reduziu sua previsão de remessas de smartphones para 2026 em cerca de 30%, com a Oppo e a Vivo também revendo suas estimativas para baixo. Para uma empresa cuja receita principal com processadores móveis e modems ainda depende dos volumes do Android, isso representa um golpe direto na base de receita de curto prazo. Malik manteve sua classificação “Neutra” e seu preço-alvo de US$ 198, mas a recomendação de “observação por 30 dias” indica que ele espera que o impacto negativo dos aparelhos celulares se manifeste antes que a receita dos data centers apareça.

O veredicto do mercado foi acreditar na narrativa estrutural e ignorar a cíclica. Essa é uma reação razoável, mas não é um passe livre. Só funciona se a receita da diversificação chegar dentro do prazo.

O que o Investor Day realmente trouxe

O evento de 24 de junho em Nova York foi o momento para o qual a Qualcomm vinha direcionando os investidores há meses, e a administração realmente apresentou números concretos. O diretor financeiro, Akash Palkhiwala, elevou a meta de receita não proveniente de celulares para o ano fiscal de 2029 para US$ 40 bilhões, quase o dobro dos US$ 22 bilhões que a empresa havia apresentado 18 meses antes. Dentro disso, o negócio de data centers tem como meta US$ 15 bilhões até o ano fiscal de 2029, com US$ 5 bilhões já previstos para o ano fiscal de 2027.

O pilar técnico foi o Dragonfly, o novo portfólio de data centers em escala de rack da Qualcomm, construído em torno de um projeto que a empresa chama de High-Bandwidth Compute (HBC), que empilha a memória diretamente sobre os módulos de computação, em vez de roteá-la por um interposer caro. A proposta é menor consumo de energia e melhor custo por token do que a abordagem padrão de GPU mais HBM. A Qualcomm também revelou sua CPU para data center C1000 e conquistou dois nomes de destaque: a Meta assinou um contrato de fornecimento de CPUs para várias gerações, enquanto Satya Nadella, da Microsoft, subiu ao palco para apoiar a implantação do HBC no Azure. A Meta é o cliente contratado; a Microsoft é, por enquanto, uma parceira que endossa a arquitetura.

A visão mais importante veio do CEO Cristiano Amon, que vem tentando redefinir a forma como os investidores categorizam a empresa. Como disse o presidente e CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, durante a apresentação: “Nunca é tarde demais para a Qualcomm” — sua resposta direta à preocupação recorrente de que o mercado de data centers já esteja saturado. Por que isso importa: todo o otimismo do mercado depende de a Qualcomm converter sua entrada tardia em receita real no segmento de hiperescaladores, e a administração está apostando sua credibilidade nessa receita a partir deste ano civil, não em algum ano fiscal distante.

Houve também um aspecto relacionado a software. A Qualcomm anunciou uma aquisição de US$ 3,9 bilhões, inteiramente em ações, da Modular, uma empresa de software de infraestrutura de IA destinada a proporcionar aos seus chips uma pilha de software portátil e compatível com diversos tipos de hardware. Amon chegou a afirmar que o setor pode estar passando por “um momento Android” neste contexto. Essa é uma afirmação ousada e também a parte da história que levará anos para dar frutos.

Quedas da Qualcomm (TIKR)

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O problema dos celulares que os otimistas precisam assumir

A razão pela qual essa ação oscila tão violentamente é que a trajetória de crescimento e os negócios tradicionais estão se movendo em direções opostas ao mesmo tempo. Os aparelhos celulares ainda representam a maior fonte individual de receita, e Palkhiwala orientou os investidores a esperar que a receita com aparelhos cresça apenas modestamente, em torno de 5% daqui para frente, e caia para cerca de um terço da receita da QCT até o ano fiscal de 2029. A nota do Citi é um lembrete constante de que o “crescimento modesto” pressupõe que a atual fraqueza do mercado chinês, impulsionada pelo setor de memórias, não piore. O corte de 30% feito pela Xiaomi é o tipo de dado que põe essa suposição à prova.

Somado a isso está a Apple, que está migrando para seus próprios modems internos e reduzindo gradualmente sua dependência dos chips da Qualcomm. Esse é um obstáculo conhecido há vários anos para o segmento de aparelhos celulares. Os setores automotivo e de IoT estão, cada um, contribuindo para a receita, mas em um ritmo mais lento, e é por isso que a expansão dos data centers tem tanto peso nessa narrativa. Isso também ajuda a explicar por que o mercado recompensou a recomendação de compra de US$ 300 da Benchmark, baseada na receita, e praticamente ignorou a cautela do Citi.

Nesse contexto, a avaliação ainda parece modesta para a aposta que a Qualcomm precisa vencer. A QCOM é negociada a 14,10x EV/EBITDA NTM e 18,95x P/E NTM, segundo a TIKR. Seus concorrentes diretos no setor de data centers são negociados a níveis muito mais altos: a Broadcom a 19,12x EV/EBITDA NTM e 23,75x P/E NTM, e a NVIDIA a 15,66x EV/EBITDA NTM e 19,68x P/E NTM, de acordo com a página de concorrentes do TIKR. O mercado ainda avalia a Qualcomm mais como uma empresa de tecnologia sem fio do que como a fornecedora de infraestrutura de IA que ela está tentando se tornar. Se pelo menos parte da meta de US$ 15 bilhões para data centers for alcançada, esse desconto representa uma oportunidade. Se a expansão não ocorrer, o desconto será o preço correto para uma base de aparelhos celulares que está perdendo a Apple.

Receita e margens de EBIT da Qualcomm (TIKR)

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Análise Avançada do Modelo TIKR

  • Preço atual: US$ 186,48
  • Preço-alvo (médio): ~US$ 480
  • Retorno total potencial: ~ 160%
  • TIR anualizada: ~25%/ano
Modelo Avançado de Avaliação da Qualcomm (TIKR)

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A avaliação do cenário médio do TIKR, prevista para 30 de setembro de 2030, aponta para cerca de US$ 480 para a QCOM. Partindo do preço atual de US$ 186,48, isso implica um retorno total potencial de cerca de 160% e uma TIR anualizada de aproximadamente 25% ao longo de cerca de 4,2 anos. Essa meta está bem acima tanto da média do mercado, de cerca de US$ 217, quanto da estimativa mais alta do Benchmark, de US$ 300; portanto, considere-a como o extremo mais agressivo do intervalo: ela precifica a estratégia de diversificação sendo executada de acordo com o planejado.

Dois fatores impulsionadores de receita sustentam a CAGR do cenário médio de cerca de 17%. O primeiro é a expansão dos data centers, partindo de praticamente zero atualmente em direção à meta de US$ 15 bilhões para o ano fiscal de 2029, à medida que chips personalizados, aceleradores de IA e CPUs são incorporados. O segundo é o setor automotivo, onde um pipeline de projetos conquistados de US$ 65 bilhões e uma meta de receita de US$ 10 bilhões para o ano fiscal de 2029 refletem o aumento do conteúdo de semicondutores por veículo. O fator que impulsiona as margens é a alavancagem operacional: a administração orientou que as despesas operacionais caiam para 19% a 20% da receita, mantendo as margens da QCT próximas a 30%. O principal risco é a base de celulares, onde os cortes nas remessas para a China e a perda do modem da Apple poderiam corroer o piso de lucros mais rapidamente do que os novos segmentos conseguiriam compensá-lo.

O cenário otimista é que a Qualcomm converta até mesmo uma fração de sua carteira de projetos com hiperescaladores e tenha sua avaliação reajustada para se equiparar às empresas concorrentes no setor de silício para IA. O cenário pessimista é que a receita dos data centers caia, que a Apple e a China exerçam pressão sobre a base de celulares e que o preço das ações continue sendo avaliado como o de uma empresa de telefonia móvel, como tem sido até agora.

Conclusão

O próximo marco importante são os resultados financeiros do terceiro trimestre fiscal de 2026 da Qualcomm, previstos para o final de julho. A administração tem repetidamente apontado este trimestre como o ponto mais baixo para a receita com celulares na China. O cenário positivo parece ser a confirmação de que a receita com clientes chineses está voltando a crescer sequencialmente e que as remessas de chips personalizados para um hiperescalador continuam dentro do planejado para começar neste ano civil. O cenário negativo parece ser mais uma revisão para baixo das projeções para a China, o que validaria a recomendação de “observação por 30 dias” do Citi, ou qualquer abrandamento no cronograma de receita de data centers ao qual a administração acaba de se comprometer. A US$ 186, com uma meta otimista de US$ 300 e uma meta pessimista de US$ 198 definidas no mesmo dia, os resultados de julho são o que indicam qual analista estava interpretando o negócio corretamente.

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